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Out 05

Dia Mundial do Professor

Estamos todos a passar tempos difíceis, de grande incerteza e de enorme volatilidade. Este ambiente de enorme incerteza é gerador de angústia e ansiedade nas pessoas, ansiedade essa que é transversal a toda a sociedade.

Mas há obviamente grupos mais vulneráveis. Entre esses grupos eu destacaria os estudantes. Porque são mais jovens, porque nem sempre têm o apoio familiar que desejariam, os pares sofrem do mesmo problema e, por isso, não são o apoio desejável e necessário.

Sobram aqui os professores como âncoras para a estabilidade dos jovens que estão a viver momentos únicos e que irão deixar marcas para anos e anos das suas vidas. Como professor, quero apelar aos meus colegas que, mais do que nunca, temos de desempenhar um papel no crescimento e desenvolvimento dos nossos jovens, que é fulcral e insubstituível.

Mas quero também dizer aos estudantes que, mais do que nunca, têm de estimular a cooperação, a interajuda, a solidariedade, a amizade. Ainda que a tendência seja para o isolamento, dialogando com um computador sozinho no quarto da casa ou na residência. Deixem-me dizer-vos, caros estudantes, que é hora de estarmos cada vez mais atentos ao nosso colega, ao nosso amigo, porque nem todos vão responder da mesma forma às provações que este tempo exige.

Quando olhamos para as chamadas “blue zones”, locais do mundo onde há mais centenários, percebemos que há um ponto comum a todas essa zonas do globo: contactos sociais. A socialização é um fator decisivo do equilíbrio emocional. Por isso, as pessoas se socorrem de grupos, sejam claques, grupos religiosos, de desporto, música ou o que seja. Nós não somos animais furtivos. Somos seres de convívio. Já basta a máscara e o distanciamento físico. Fiquemo-nos apenas pelo afastamento físico e mantenhamos a proximidade social. Por isso, é tão importante virem às aulas, estarem com os colegas e com os professores.

Cumprindo todas as regras de proteção, não se isolem. Sei bem que as aulas remotas são quase um estímulo para ficarmos em casa a assistir tranquilamente à aula, sentados no chão ou deitados na cama. Esse é um “conforto” enganador. Hoje sabe-se, por exemplo, que as relações sociais produzem alterações biológicas que estimulam a confiança e até a saúde e bem-estar.

Como professor, deixo-vos esta mensagem: protejam-se, mas não se escondam e tenham confiança que um dia isto vai passar. Até lá, tentemos amenizar este ambiente que nos corrói e consome diariamente. Socializem, conversem, apoiem-se e não optem pelo mais simples: o ecrã do portátil que nos faz chegar a qualquer lado. É puro engano. E todos sabemos que assim é!

— José Soares, Full Professor of Physiology, University of Porto